Autonomia ou anti-imperialismo: comparação da política de defesa do Brasil e Venezuela (2003-2013)
DOI:
https://doi.org/10.26792/rbed.v13i1.75471Palavras-chave:
Brasil, Venezuela, Política de DefesaResumo
O presente artigo tem como objetivo apresentar e comparar a política de defesa do Brasil e da Venezuela entre o período de 2003 à 2013, identificando semelhanças e diferenças em cinco áreas: documentos oficiais, interface entre política externa e política de defesa, integração regional nesse campo, modernização das forças armadas, e indústrias bélicas e gastos e contingentes militares. A justificativa da escolha do período e dos dois países tem a ver com o fato de se tratar de governos de esquerda que estiveram no poder durante o mesmo período; exibiram modificações em suas políticas de defesa com atualizações nas documentações referentes ao tema e a projetos de modernização das forças armadas; além de uma atuação internacional mais ativa durante esse período, demonstrando uma maior imbricação entre as políticas externa e de defensa. A metodologia empregada foi de revisão bibliográfica e análise de documentos oficiais de cada país. Conclui-se no final que tanto o Brasil como a Venezuela tiveram um fortalecimento de suas políticas de defesa, ainda que adotando estratégias e posturas diferentes, o primeiro foi mais pragmático e buscou autonomia sem confrontação, enquanto o segundo posicionou-se de maneira mais radical e anti-imperialista em matéria de segurança nacional.
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